quarta-feira, 27 de maio de 2009

DANÇA CARIMBÓ (Dança de Par Solto)

Carimbó é uma Dança regional, aculturada, que revela traços culturais lusitanos, negros e índios. O nome é de origem tupi - korimbó -, formado por duas palavras: curi que significa "pau oco: e mbó , que significa "furado". Posteriormente o povo foi trocando as letras do curimbó para corimbo - como ainda é chamado no município de Salinópolis - e para carimbó, como ficou nacionalmente conhecida a dança.

Tal qual os tocadores de batuque paulistas, cavalgam os tambores e os batem com as mãos, à quisa de varetas.
Os tambores são de 0,90 a 1,50 de comprimento, por 0,40 ou 0,50 de diâmetro, de troncos de árvores, escavados, com uma abertura lateral em toda a extensão para emissão do som e fechados numa das extremidades por pele de animal silvestre.
Os instrumentos que acompanham o Carimbó são: reco-reco, violá, ganzá, banjo, duas maracás e flauta. A união desses instrumentos deu à música do carimbó um ritmo único, envolvente e extremamente sensual.

A indumentária do Carimbó é a seguinte: homens com blusas lisas ou estampadas sobre calças lisas; lenço no pescoço, chapéu de arumã, dançam descalços. Mulheres usam blusas que deixam ombros e barriga à mostra, muitos colares e pulseiras feitos de sementes da região e saias rodadas ou franzidas coloridas ou estampadas, uma influência das danças do Caribe, de origem negra. Usam também, flores ou arranjos na cabeça e vários enfeites ao gosto das dançarinas. Também dançam descalças.

Na coreografia a dança inicia-se com uma fileira de casais, onde o homem aproxima-se de seu par batendo palmas para convidá-la à dança. Elas aceitam o convite e iniciam um movimento circular, formando ao mesmo tempo, uma grande roda, e fazendo movimentos com a saia, com o único intuito de atirá-la sobre a cabeça de seu par. O homem dança o tempo todo, tentando se livrar da saia da mulher, pois se ela conseguir tal façanha, ele sai da dança vaiado por seus companheiros.
DANÇA CARIMBÓ (Dança de Par Solto)

Carimbó é uma Dança regional, aculturada, que revela traços culturais lusitanos, negros e índios. O nome é de origem tupi - korimbó -, formado por duas palavras: curi que significa "pau oco: e mbó , que significa "furado". Posteriormente o povo foi trocando as letras do curimbó para corimbo - como ainda é chamado no município de Salinópolis - e para carimbó, como ficou nacionalmente conhecida a dança.

Tal qual os tocadores de batuque paulistas, cavalgam os tambores e os batem com as mãos, à quisa de varetas.
Os tambores são de 0,90 a 1,50 de comprimento, por 0,40 ou 0,50 de diâmetro, de troncos de árvores, escavados, com uma abertura lateral em toda a extensão para emissão do som e fechados numa das extremidades por pele de animal silvestre.
Os instrumentos que acompanham o Carimbó são: reco-reco, violá, ganzá, banjo, duas maracás e flauta. A união desses instrumentos deu à música do carimbó um ritmo único, envolvente e extremamente sensual.

A indumentária do Carimbó é a seguinte: homens com blusas lisas ou estampadas sobre calças lisas; lenço no pescoço, chapéu de arumã, dançam descalços. Mulheres usam blusas que deixam ombros e barriga à mostra, muitos colares e pulseiras feitos de sementes da região e saias rodadas ou franzidas coloridas ou estampadas, uma influência das danças do Caribe, de origem negra. Usam também, flores ou arranjos na cabeça e vários enfeites ao gosto das dançarinas. Também dançam descalças.

Na coreografia a dança inicia-se com uma fileira de casais, onde o homem aproxima-se de seu par batendo palmas para convidá-la à dança. Elas aceitam o convite e iniciam um movimento circular, formando ao mesmo tempo, uma grande roda, e fazendo movimentos com a saia, com o único intuito de atirá-la sobre a cabeça de seu par. O homem dança o tempo todo, tentando se livrar da saia da mulher, pois se ela conseguir tal façanha, ele sai da dança vaiado por seus companheiros.

2001- C

BOI GARANTIDO

Conta-se que o Bumbá Garantido, isto é, a metade “vermelha” do município de Parintins, teve Lindolfo Monteverde como fundador do “Boi” Garantido.
Ainda garoto, gostava de ouvir as histórias que seu avô contava. A que mais lhe encantava, era a de um “Boi” alegre, brincalhão e animado. No conto, este animal dançava, enchendo de energia os lugares por onde passava, sendo muito querido por todos; até que um dia, um empregado da fazenda, Pai Francisco, matava o bicho para satisfazer o desejo de sua esposa, que grávida, queria comer língua de boi. Esse personagem e sua esposa, Mãe Catirina, passavam a ser perseguidos por todos na cidade. Na tentativa de salvar o “Boi”, apareciam o médico, o padre, o Amo da fazenda e sua filha – a Sinhazinha. Depois de muita reza e de fazerem todo o possível, finalmente, conseguiam ressuscitar o animal. A felicidade era enorme, começava uma grande festa e, Pai Francisco, que até então era o vilão da história, acabava sendo perdoado.

A história permaneceu na imaginação de Lindolfo Monteverde, de tal forma, que ele viria a criar uma armação, cobrindo-a com um pano e saindo às ruas, brincando com o seu “Boi Bumbá”. Isso teria acontecido, há muitos anos, na cidade de Parintins.
Dizem que a brincadeira começava sempre com uma ladainha (uma prece), seguida de uma grande festa, com muita comida e muita música.

Houve uma época em que Lindolfo Monteverde estivera no exército. Naquela ocasião, o rapaz adoecera gravemente. A fim de recuperar a saúde, fizera uma promessa a São João Batista. Prometera que, se voltasse a ficar bom, seu “Boi” jamais deixaria de sair às ruas, pelo tempo que ele vivesse.
Para alegria de todos aqueles que tem a sorte de visitar a cidade de Parintins durante a época do Festival, São João Batista atendera seu pedido! Lindolfo Monteverde se recuperara e todos os anos, até os dias de hoje, os torcedores do “Boi” se reúnem para rezar e festejar.

Conta-se também, que Lindolfo Monteverde era um ótimo repentista, isto é, ele incomodava os torcedores do “Boi” contrário com os desafios que criava em suas toadas (música típica do Festival). Tinha um vozeirão, que poderia ser ouvido de longe.
O Boi Garantido foi criado branco com o coração vermelho. O nome, Garantido, tem algumas versões para justificá-lo. Uma delas deriva das primeiras brigas entre os “brincantes” (torcedores) de ambos os “Bois”. O chifre do “Boi contrário” cai e Lindolfo, como bom repentista que era, entoa as palavras: “nosso Boi sempre sai inteiro. Isso é Garantido!”. A outra versão parte de outro repentista, que desafia: “Este ano, se cuide, que eu vou caprichar no meu “Boi”. Lindolfo então retruca: “Pois capriche no seu, que eu “garanto” o meu!”
Outras versões existem, várias histórias envolvidas com os “Bois”, merecem ser ouvidas. Nem que sejam contadas pelos próprios moradores da cidade.

2001- C

BOI GARANTIDO

Conta-se que o Bumbá Garantido, isto é, a metade “vermelha” do município de Parintins, teve Lindolfo Monteverde como fundador do “Boi” Garantido.
Ainda garoto, gostava de ouvir as histórias que seu avô contava. A que mais lhe encantava, era a de um “Boi” alegre, brincalhão e animado. No conto, este animal dançava, enchendo de energia os lugares por onde passava, sendo muito querido por todos; até que um dia, um empregado da fazenda, Pai Francisco, matava o bicho para satisfazer o desejo de sua esposa, que grávida, queria comer língua de boi. Esse personagem e sua esposa, Mãe Catirina, passavam a ser perseguidos por todos na cidade. Na tentativa de salvar o “Boi”, apareciam o médico, o padre, o Amo da fazenda e sua filha – a Sinhazinha. Depois de muita reza e de fazerem todo o possível, finalmente, conseguiam ressuscitar o animal. A felicidade era enorme, começava uma grande festa e, Pai Francisco, que até então era o vilão da história, acabava sendo perdoado.

A história permaneceu na imaginação de Lindolfo Monteverde, de tal forma, que ele viria a criar uma armação, cobrindo-a com um pano e saindo às ruas, brincando com o seu “Boi Bumbá”. Isso teria acontecido, há muitos anos, na cidade de Parintins.
Dizem que a brincadeira começava sempre com uma ladainha (uma prece), seguida de uma grande festa, com muita comida e muita música.

Houve uma época em que Lindolfo Monteverde estivera no exército. Naquela ocasião, o rapaz adoecera gravemente. A fim de recuperar a saúde, fizera uma promessa a São João Batista. Prometera que, se voltasse a ficar bom, seu “Boi” jamais deixaria de sair às ruas, pelo tempo que ele vivesse.
Para alegria de todos aqueles que tem a sorte de visitar a cidade de Parintins durante a época do Festival, São João Batista atendera seu pedido! Lindolfo Monteverde se recuperara e todos os anos, até os dias de hoje, os torcedores do “Boi” se reúnem para rezar e festejar.

Conta-se também, que Lindolfo Monteverde era um ótimo repentista, isto é, ele incomodava os torcedores do “Boi” contrário com os desafios que criava em suas toadas (música típica do Festival). Tinha um vozeirão, que poderia ser ouvido de longe.
O Boi Garantido foi criado branco com o coração vermelho. O nome, Garantido, tem algumas versões para justificá-lo. Uma delas deriva das primeiras brigas entre os “brincantes” (torcedores) de ambos os “Bois”. O chifre do “Boi contrário” cai e Lindolfo, como bom repentista que era, entoa as palavras: “nosso Boi sempre sai inteiro. Isso é Garantido!”. A outra versão parte de outro repentista, que desafia: “Este ano, se cuide, que eu vou caprichar no meu “Boi”. Lindolfo então retruca: “Pois capriche no seu, que eu “garanto” o meu!”
Outras versões existem, várias histórias envolvidas com os “Bois”, merecem ser ouvidas. Nem que sejam contadas pelos próprios moradores da cidade.

2002- D

MARACATU


Maracatu é uma manifestação cultural da música folclórica pernambucana afro-brasileira. É formada por uma orquestra de percussão que acompanha um cortejo real. Como a maioria das manifestações populares do Brasil, é uma mistura das culturas indígena, africana e européia. Surgiu em meados do século XVIII.
Os Maracatus mais antigos do Carnaval do Recife, também conhecidos como Maracatu de Baque Virado ou Maracatu Nação, nasceram da tradição do Rei do Congo, implantada no Brasil pelos portugueses. O mais remoto registro sobre Maracatu data de 1711, de Olinda, e fala de uma instituição que compreendia um setor administrativo e outra, festivo, com teatro, música e dança. A parte falada foi sendo eliminada lentamente, resultando em música e dança próprias para homenagear a coroação do rei: o Maracatu.

Parece que a palavra "maracatu" primeiro designou um instrumento de percussão e, só depois, a dança que se dançava ao som deste instrumento. Os cronistas portugueses chamavam aos "infiéis" de nação, nome que acabou sendo assumido pelo colonizado. Os próprios negros passaram a autodenominar de nações a seus agrupamentos tribais. As nações sobreviventes descendem de organizações de negros deste tipo, e nos seus estandartes escrevem CCMM (Clube Carnavalesco Misto Maracatu).

Mário de Andrade, no capítulo Maracatu de seu livro Danças Dramáticas Brasileiras II, elenca diversas possibilidades de origem da palavra maracatu, entre elas uma provável origem americana: maracá=instrumento ameríndio de percussão; catu=bom, bonito em tupi; marã=guerra, confusão; marãcàtú, e depois maràcàtú valendo como guerra bonita, isto é, reunindo o sentido festivo e o sentido guerreiro no mesmo termo. Mario de Andrade no mesmo texto deixa claro que enumerava os vários significados da palavra "sem a mínima pretensão a ter resolvido o problema. Simples divagação etimológica pros sabedores...divagarem mais." No entanto, sua origem e história não é certa, pois alguns autores ressaltam que o maracatu nasceu nos terreiros de candomblé, quando os escravos reconstituíam a coroação do reis do Congo. Com o advento da abolição, este ritual ganhou as ruas, tornando-se um folguedo carnavalesco.


Constituição

Do Maracatu Nação participam entre 30 e 50 figuras. Entre elas estão o Porta-estandarte, trajado à Luís XV (como nos clubes de frevo), que conduz o estandarte. Atrás, vêm as Damas do Paço, no máximo duas, e que carregam as Calungas, que são bonecos de origem religiosa, que simbolizam uma rainha morta.

A dança executada com as Calungas tem caráter religioso e é obrigatória na porta das Igrejas, representando um "agrado" a Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito. Quando o Maracatu visita um terreiro, homenageia os Orixás.

Depois das Damas do Paço segue a corte: Duque e Duquesa, Príncipe e Princesa, um Embaixador (nos Maracatus mais pobres o Porta-estandarte vale como Embaixador).

A corte abre alas para o Rei e a Rainha, que trazem coroas douradas e vestem mantos de veludo bordados e enfeitados com arminho. Nas mãos trazem pequenas espadas e cetros reais. O Rei é coberto por um grande pálio encimado por uma esfera ou uma lua, transportado pelo Escravo que o gira entre suas mãos, lembrando o movimento da Terra. O uso deste tipo de guarda-sol é costume árabe, ainda hoje presente em certas regiões africanas.

Alguns Maracatus incluem nesse trecho do cortejo também meninos lanceiros e a figura do Caboclo de Pena, que representa o indígena brasileiro e tem coreografia complicadíssima.
A orquestra do Maracatu Nação é composta apenas por instrumentos de percussão: vários tambores grandes (alfaias), caixas e taróis, ganzás e um gonguê (metalofone de uma ou duas campânulas, percutidas por uma vareta de metal).Hoje em dia, se usa os agbes ou xequerês(instrumento confeccionado com uma cabaça e uma saia de contas). O Mestre de Toadas "puxa" os cantos, e o coro responde. As baianas têm a responsabilidade de cantar, outras vezes, são os caboclos, mas todos os dançarinos também podem participar.

Este Maracatu mais tradicional é chamado de Baque Virado porque este termo é sinônimo de um dos "toques" característicos do cortejo.

Os Maracatus de Baque Virado sempre começam em ritmo compassado, que depois se acelera, embora jamais alcance um andamento muito rápido. Antes de se ouvir a corneta ou o clarim, que precedem o estandarte da Nação, é a zoada do "baque" que anuncia, ao longe, a chegada do Maracatu.

O Maracatu se distingue das outras danças dramáticas e das danças negras em geral pela sua coreografia. Há uma presença forte de uma origem mística na maneira com que se dança o Maracatu, que lembra as danças do Candomblé. Balizas e Caboclos dançam todo o cortejo. Baianas e Damas do Paço têm coreografias especiais. Todos os outros se movimentam mais discretamente. Caboclos e Guias fazem muitas acrobacias, que parecem com os passos dos frevos de carnavalescos. Mário de Andrade descreve a dança das yabás(baianas): “Embebedadas pela percussão, dançam lentas, molengas, bamboleando levemente os quartos, num passinho curto, quase inexistente, sem nenhuma figuração dos pés. Os braços, as mãos é que se movem mais, ao contorcer preguiçoso do torso. Vão se erguendo, se abrem, sem nunca se estirarem completamente no ombro, no cotovelo, no pulso, aproveitando as articulações com delícia, para ondularem sempre. Às vezes, o torso parece perder o equilíbrio e lerdamente vai se inclinando para uma banda, e o braço desse lado se abaixa sempre também, acrescentando com equilíbrio o seu valor de peso, ao passo que o outro se ergue e peneira no ar numa circulação contínua e vagarenta...”


Personagens

As personagens que compõem o cortejo são os seguintes:

Porta-estandarte, que leva o estandarte; este contém, basicamente, o nome da agremiação, uma figura que o represente e o ano que foi criada.
Dama do paço, mulher que leva em uma das mãos a CALUNGA (boneca de madeira, ricamente vestida e que simboliza uma entidade ou rainha já morta).
Rei e Rainha, as figuras mais importantes do cortejo, e é por sua coroação que tudo é feito.
Vassalo, um escravo que leva o PALIO (guarda-sol que protege os reis).
Figuras da corte: príncipes, ministros, embaixadores, etc.
Damas da corte, senhoras ricas que não possuem título nobiliárquicos.
Yabás, mais conhecidas como baianas, que são escravas.
Batuqueiros, que animam o cortejo, tocando vários instrumentos, como caixas de guerra, alfaias (tambores), gonguê, xequerês, maracás, etc.


Fonte: Wikipédia

2003- A

SAMBA DE PARTIDO ALTO


Samba de partido-alto, partido-alto ou simplesmente partido, é um sub-gênero do samba, surgido na década de 1930 nos terreiros (atuais quadras) das primeiras escolas de samba do Rio de Janeiro. Apesar de ser um dos estilos de samba mais tradicionais, não existe um consenso entre praticantes e estudiosos, menos ou mais eruditos, para definir o que seria essa derivação do samba, muito também pelas mundaças pelo qual ele passou de sua origem, em meados do século XIX, até os dias atuais.

Em linhas gerais, o partido-alto do passado seria uma espécie de samba instrumental e ocasionalmente vocal (feito para dançar e cantar), constante de uma parte solada, chamada "chula" (que dava a ele também o nome de samba raiado ou chula-raiada), e de um refrão (que o diferenciava do samba corrido).

Já o partido-alto moderno seria uma espécie de samba cantado em forma de desafio por dois ou mais contendores e que se compõe de uma parte de coral (refrão ou "primeira") e uma parte solada com versos improvisados ou do repertório tradicional, os quais podem ou não se referir ao assunto do refrão.
Sob essa rubrica se incluem, hoje, várias formas de sambas rurais, as antigas chulas, os antigos sambas corridos (aos quais se acrescenta o solo), os refrões de pernada (batucada ou samba duro), bem como os chamados "partidos cortados", em que a parte solada é uma quadra e o refrão é intercalado (raiado) entre cada verso dela. Entretanto, transcedendo qualquer aspecto formal, partido-alto é, sobretudo, o samba da elite dos sambistas, bem-humorado, encantador e espontâneo.

De acordo com a Enciclopédia da Música Brasileira, "samba de partido-alto é um gênero do samba surgido no início do século XX conciliando formas antigas (o partido-alto baiano, por exemplo) e modernas do samba-sança-batuque, desde os versos improvisados à tendência de estruturação em forma fixa de canção, e que era cultivado inicialmente apenas por velhos conhecedores dos segredos do samba-dança mais antigo, o que explica o próprio nome do partido-alto (equivalente da expressão moderna "alto-gabarito"). Inicialmente caracterizado por longas estrofes ou estâncias de seis e mais versos, apoiados em refrões curtos, o samba de partido-alto ressurge a partir da década de 1940, cultivado pelos moradores dos morros cariocas, mas já agora não incluindo necessariamente a roda de dança e reduzido à improvisação individual, pelos participantes, de quadras cantadas a intervalos de estribilhos geralmente conhecido de todos".

O samba de partido-alto no século XXI é uma vasta gama de sambas apoiados em um estribilho e com segunda, terceira e quarta partes soladas, desenvolvendo o tema proposto na letra. O estilo de partido-alto com versos realmente improvisados vem aindo em desuso, não só pela diminuição de rodas de samba, como pela facilidade de repetir versos pré-elaborados, gravados e difundidos via álbuns, rádio, televisão, entre outros. Não obstante, a tradição se mantém com alguns sambistas absorvidos pela indústria fonográfica, como Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e Arlindo Cruz, ou por compositores como Nei Lopes, que constroem sambas a partir de um solo em forma de chamada e resposta e remetendo, na letra, ao tema proposto no refrão ou na "primeira".

O partido-alto da década de 1970 sofreria outras modificações até servir de combustível para o movimento conhecido por pagode de raiz, movido a banjo e tantã.[3] Antes, pagode era o nome dado no Brasil, pelo menos desde o século XIX, a habituais reuniões festivas, regadas a música, comida e bebida. E nos pagodes, a música tocada era o samba, especialmente a vertente partido-alto. Mas com o passar do tempo, estes encontros ganharam outra feição. No início da década de 1980, os pagodes eram febre no Rio de Janeiro e o termo logo compreenderia um novo estilo de samba, rapidamente transformado em produto comercial pela indústria fonográfica. E, neste processo, o estilo pagode se distanciou do partido-alto, samba caracterizado por elaboração, elegância e refinamento.

2002- A

BAIÃO

O Baião dança e música, abrange uma fase antiga que o Nordeste conheceu durante um século e outra moderna, a partir de 1946, que atingiu todo o Brasil projetando-se no exterior.

Já em 1842, falava-se no Baiano ou Baião muito em voga no século XIX, com diversas modalidades coreográficas. Era executado entre o povo e nos salões, por ocasião das festas sociais, ao lado do Minueto.

Inicialmente bem aceito, mais tarde, foi considerado lascivo, ficando sua prática limitada aos ambientes rústicos e campestres.

O Baiano ou Baião caracterizava-se por ser dança viva, com movimentos improvisados, ágeis, com sapateado e castanholas (produzidas com estalar dos dedos), palmas, giros, além de "volteados" e "roda de galo" e, mais raramente, da umbigada. Tanto na dança como na música predominava o caráter de improvisação, de efeito surpreendente inclusive com a presença de desafios baseados nas circunstâncias.

Quanto à origem: pode ser um produto mestiço (a transformação do Maracatu africano, das danças selvagens e do lado Português); um novo nome dado ao samba em alguns Estados do Norte; pode ter o Fandango como o mais provável antepassado dado suas afinidades com mais influência européia do que africana ou afro-brasileira, entre outras.

O Baião moderno em virtude da coreografia e música tem ritmo marcante e contagioso e é, indiscutivelmente, delicioso de ser dançado.


Grandes sucessos do baião:

- Asa Branca - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
- Baião de Dois - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
- Mulher Rendeira – Zé do Norte
- Boi Bumbá – Gonzaguinha e Luiz Gonzaga
- Baião da Penha - David Nasser e Guio de Morais

2003- B

SAMBA, SABOR DO BRASIL

“O samba é o mais belo documento da vida e da alma do povo brasileiro”

Texto de Rosane Volpatto


O hábito de dançar corresponde a um instinto primitivo e universal do homem. A dança desde os tempos remotos, é peculiar a todos os povos do mundo, tanto os civilizados como os primitivos e, em sua origem, teve geralmente caráter mítico e religioso.

Entre os povos primitivos, a dança representava um fator social importante, pois simboliza a vida a coesão de uma tribo, desenvolvendo em cada indivíduo sentimentos e excitações referentes à religião, à sociedade e à guerra. Só bem mais tarde, com o progresso da civilização, a dança foi-se individualizando.

Na estruturação da dança popular brasileira, foi de vital importância a contribuição lusa. O negro, porém, entrou com grande cópia de elementos coreográficos, que deram a dança brasileira características próprias. Você já viu samba ter graça sem nossas mulatas? Pois é, nosso negro tem sabor na sua cor. Sem ele o samba fica descaracterizado e sem samba o Brasil perde seu caráter nacional e internacional. Talvez até hoje a maioria das pessoas não tenham se dado conta do valor patrimonial do nosso samba, pois saiba que, o samba é o mais belo documento da vida e da alma do povo brasileiro.

Já dizia nosso amado poeta, Dorival Caymmi, que "quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça, ou doente do pé...". Realmente, é difícil resistir ao ritmo contagiante do samba, seja você brasileiro ou estrangeiro. Quem nasceu aqui, sabe que na presença do samba, não temos alternativa, exceto cair na FOLIA e deixar rolar.

Muito fala-se da origem do samba, contudo, parece ser a mais remota. Seria, provavelmente, uma derivação do quimbundo semba, que significa umbigada, ou do umbumdo samba que significa estar animado ou estar excitado. Em verdade, o termo "semba" designava um tipo de dança de roda praticada em Luanda (Angola) e em várias regiões do Brasil, principalmente na Bahia. Do centro de um círculo e ao som de palmas, coro e objetos de percussão, um dançarino solista, em requebros e volteios, dava uma umbigada em um outro companheiro a fim de convidá-lo a dançar, sendo substituído então por esse participante. A própria palavra samba já era empregada no final do século XIX dando nome ao ritual dos negros escravos e ex-escravos.

Oficialmente o primeiro samba foi gravado em 1917 com o título de "Pelo Telefone" e sob a autoria do músico carioca Donga.

O Samba está presente em todo o território brasileiro, aliás está no sangue e no pé da nossa gente, entretanto, ele adquire feições particulares e marcantes nos estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo.

O samba baiano apresenta formas variadas cujos nomes remetem às coreografias e aos ritmos musicais. Dentre alguns, destacamos: Samba de roda, Samba de chave, Samba partido-alto, Samba corrido, Batido, Chulado, Baiano, Bate-pau, etc. Os movimentos incluem a umbigada e os passos fundamentais: “Corta a jaca”, “Separa o Visgo”, “Apanha o bago”, “Miudinho” e “Vamos peneirar”. Os cantos são tirados por um puxador, respondidos em coro pelos demais dançadores. O Samba que não tem refrão é chamado de “Samba corrido”. Os instrumentos musicais acompanhantes são: o violão, chocalho, pandeiro, atabaques. No Samba de roda observam-se ainda ritmos marcados em prato de mesa de ágate com duas colheres de sopa, além de tabuinhas.

2003- C

MACULELÊ

É o maculelê uma dança de origem Afro-indígena, pois foi trazida pelos negros da África para cá e aqui foi mesclada com alguma coisa da cultura dos índios que aqui já viviam.

Os africanos diziam que esta dança era mais uma forma de luta contra os horrores da escravidão e do cativeiro. Enquanto os negros dançavam com os cepos de cana no meio do canavial, cantavam músicas que evidenciavam o ódio. Porém, eles as cantavam nos dialetos que trouxeram da África para que os feitores não entendessem o sentido das palavras. Assim como a "brincadeira de Angola" camuflou a periculosidade dos movimentos da capoeira, a dança do maculelê também era uma maneira de esconder os perigos das porretadas desta dança.

Aos golpes e investidas dos feitores contra os negros, estes se defendiam com largas cruzadas de pernas e fortes porretadas que atingiam principalmente a cabeça ou as pernas dos feitores de acordo com o abaixar e levantar do negro com os porretes em punho. Além desta defesa, os negros pulavam de um lado pro outro dificultando o assédio do feitor. Para as lutas travadas durante o dia, os negros treinavam durante a noite nos terreiros das senzalas com paus em chama que retiravam das fogueiras, trazendo ainda mais perigo para o agressor.

O maculelê pode ser feito com porretes de pau, facões ou facas, mas, alguns grupos praticam o maculelê com tochas de fogo ou "tições" retirados na hora de uma fogueira que também fica no meio da roda junto com os dançarinos.

O maculelê é portanto, um bailado guerreiro que foi desenvolvido por homens negros, compreendendo dançadores e cantadores, todos comandados por um mestre, denominado “macota”. Os participantes usam um bastão de madeira com cerca de 60 cm de comprimento, exceto o macota, que tem um mais longo. Os bastões são batidos uns nos outros, em ritmo forte e compassado. Estas pancadas presidem toda a dança, funcionando como marcadoras do pulso musical.

A banda que anima os dançarinos é composta por atabaques, pandeiros e às vezes violas de doze cordas. As cantigas são puxadas pelo macota e respondidas pelo coro. Há músicas tradicionais e outras circunstanciais, dependendo da destreza do chefe. Quando se apresentam em alguma casa ou estabelecimento de eventos, iniciam com uma saudação ao dono do lugar, seguem-se várias cantigas a gosto do mestre, concluindo com Despedida e Agradecimento. Na rua executam a Marcha de Angola, que contém letra com termos africanos adaptados. A área de maior incidência do Maculelê á a região de Santo Amaro (BA).

Maculelê nos faz reencontrar com a alma perdida do negro, que muito ajudou a construir esse nosso país. Nosso passado escravista, não é motivo de orgulho, mas é através do estudo da cultura negra que poderemos nos compreender como membros de uma coletividade, o povo brasileiro.

A cultura é o chão do nosso Brasil, que é criado e recriado constantemente. A população afro-brasileira ao mesmo tempo que conservou elementos fundamentais da tradição africana, criou e recriou símbolos, mitos, costumes e danças.

Sabe-se hoje, que 43% do conjunto da população brasileira é constituído de negros, ou têm negros na sua descendência, constituindo-se assim, o segundo maior país de população negra no mundo, perdendo apenas para a Nigéria.

É preciso nos assumirmos sem inferioridade o nosso rosto negro-brasileiro!

Texto pesquisado e desenvolvido por

ROSANE VOLPATTO


2003- D

JONGO, ANCESTRAL DO SAMBA



Quando os negros foram trazidos para o Brasil, trouxeram como bagagem suas práticas sociais, entre elas: a música, a dança e a religião. A música para eles, tinha conotação tanto religiosa como festiva e geralmente era associada a dança e ao canto.

É evidente, que com o passar do tempo, todas estas práticas foram sofrendo modificações ou ajustes, uma vez que, mesclou-se com a cultura do povo que aqui já habitava, passando então, a abordar novos temas. Também foram utilizados para estas evoluções, instrumentos europeus e indígenas, pelo seu fácil acesso e sobretudo, foi adotada a língua portuguesa, como língua de expressão.

Jongo é portanto, uma dança de origem afro-brasileira, do mesmo tronco do batuque, ambos ancestrais do samba e do pagode. O Jongo formou-se nas terras por onde andou o café. Surgiu na Baixada Fluminense, subiu a Mantiqueira. Entrou também pela Zona da Mata mineira. No estado montanhês o jongo é conhecido por "caxambu", aliás, denominação dada também ao instrumento fundamental dessa dança, o ataque grande, membranofônio, ora chamado tambu, ora angona, ora caxambu. Denominação essa só adstrita ao jongo porque ele tem muitos outros nomes pelo Brasil afora, em outras danças e cerimônias.

Em Taubaté, São Luís do Paraitinga, Pindamonhangaba e Cunha, encontram-se os últimos redutos de jongueiros do Vale Paulista, no momento, em fase de revivescência. Estruturado em roda, em torno de uma fogueira que ajuda a manter a afinação dos tambores, acontece hoje em praças públicas, da mesma forma que, outrora, acontecia nos terreiros. Com ela, os participantes homenageiam São Benedito e os antepassados negros.


DANÇA


Na dança participam homens e mulheres alternados, sempre em redor dos instrumentos, sendo o tambu e o candogueiro colocados no solo. É uma dança de roda que se movimenta no sentido contrário aos dos ponteiros do relógio.

No centro da roda, se posiciona um solista, um jongueiro, que canta sua canção, o “ponto”. Os demais respondem em coro de algumas vozes, fazendo movimentos laterais e batendo palmas, nos lugares. O solista improvisa passos movimentando todo o seu corpo. De vez em quando os dançantes dão um giro com o corpo e quando se cansam, saem da roda e descansam.

INSTRUMENTOS


O instrumental é composto geralmente, por dois tambores, um grande, o Tambu e um menor (também chamado joana), o Candongueiro. Encontramos ainda: uma Puíta, a nossa tão conhecida cuíca artesanal; um chocalho, o Guaiá, feito de folhas-de-flandes ou latas usadas.

O Tambu, atabaque grande, é um pedaço de madeira em que por meio de fogo é feito um buraco de ponta a ponta. Esse toco tem mais ou menos uns 100 a 120 cm de comprimento, e um diâmetro aproximado de 40 cm. Numa de umas extremidades é colocado um pedaço de couro de boi, e a outra fica livre. Para afinar o tambu, levam-no róximo ao fogo, o que lhe dá um som mais limpo e mais agudo. Quando o couro está frio, dizem que o tambu está rouco.

A execução do Tambu é feita com o tocador montado sobre ele, batendo no couro com as mãos espalmadas. Já o Candongueiro fica preso à cintura do tocador, que permanece de pé ou sentado.

O candongueiro, atabaque menor, é mais delicado e de menor dimensão, 80 a 100 cm, 30 cm de diâmetro, e o seu som é mais agudo, mais "mulher" e lhe foi dado o nome de "joana".

A Puíta é um pau roliço, oco, de mais ou menos 30 cm de comprimento e 15 ou 20 cm de diâmetro. Uma das bocas é recoberta por um couro. No centro deste amarram uma haste de madeira, bem lisa, de 30 cm de comprimento. Ela é tocada da seguinte maneira: o tocador coloca o instrumento entre os joelhos pressionando-o, e com um pano molhado esfrega a haste tirando o som. De vez em quando, coloca uma das mãos sobre o couro, externamente, o que faz tirar sons diferentes, ruídos que mais parecem grunhidos. Para conservar o pano molhado, trazem uma cabaça com água. Tomam um pouco da água e depois cuspindo-a na mão esfregam a haste. Há tocadores que não usam pano, somente a mão molhada, e assim conseguem tirar mais uma gama maior de sons do instrumento.

O Guaiá é uma latinha que contém dentro chumbinho, pedrinhas ou "conta de capiá", tendo uma alça para segurar. Assemelha-se a uma caneca fechada. É um chocalho com alça. É tocado somente para mudar o canto, para desatar o ponto que está sendo dançado.

Ultimamente, têm-se visto violões e cavaquinhos no acompanhamento e alguns conjuntos de jongo usam até mesmo instrumentos de sopro em suas apresentações.

MELODIA

As melodias são construídas com o uso de poucos sons. A dificuldade reside no texto literário dos “pontos”, pois são todos enigmáticos, metafóricos. A inexistência de textos de sentido simbólico, que dá às palavras uma semântica peculiar aos jongueiros, parece ter tido origem durante a escravidão, quando os negros necessitavam transmitir informações indecifráveis pelos senhores.

O ponto pode ser cantado, rezado ou gungurado, isto é, usando a técnica erudita da "boca chiusa" - sussurro, murmúrio.

O jongo tem início sempre com uma louvação, acompanhada com muito respeito por todos os participantes. Em seguida são cantados os “pontos”, baseados em um verso curto e fácil de ser cantado, que nem sempre são improvisados, pois há aqueles tradicionais que correm o mundo. O ajuste das palavras à música é regulado por compassos fortes.

Quando o solista quer desafiar alguém, canta o “ponto de demanda”; este deverá decifra-lo, cantando a resposta: fala-se então que “desatou o ponto”. Se não for decifrado, diz-se que “ficou amarrado”. Neste caso, o jongueiro “amarrado” pode passar por várias situações humilhantes e vexatórias, como cair no chão desacordado, ficar sem voz, ou não conseguir andar. É no domínio desse aspecto que se estabelece a hierarquia existente entre os participantes: “cumba” é termo que define os pretos-velhos, antigos na idade e na prática dessa expressão, mestres na arte do improviso, do “amarrar” e do “desatar pontos”.

O decifrador deve colocar a mão em um dos tambores e gritar “cachoeira” ou “machado” ocasião em que todos se calam. Em seguida canta a resposta.

2002- B

Fandango


Dança rápida e sapateada, fortemente ritmada, acompanhada em geral de guitarra, castanholas ou acordeão. Originária da Espanha, e comum na América espanhola, adquiriu feição própria em Portugal e no Brasil, onde o nome se aplica a uma série de danças folclóricas rurais, com diferentes coreografias.

“O Fandango é uma dança de origem espanhola, ‘viva’, dançada individualmente ou por par solista, apresentando sapateado, castanholas, meneios, requebros, acompanhada de guitarra e canto, rica em sensualismo e agilidade”. (GIFFONI, 1982). O fandango foi dançado nos salões aristocráticos desde o século XVIII, na Europa e, depois na América, proveniente de danças populares da idade média. Dantas apud Roderjan (1981), conta que o fandango era dançado em Lisboa no séc. XVIII, do paço dos reis às vielas da mouraria e que este era dançado principalmente ao norte de Portugal, de onde vêm muitos portugueses para o Paraná. Seu desprestígio, ocorreu devido às proibições das ordenanças reais e as censuras eclesiásticas, que o consideravam licencioso e herege.

Características
As danças do fandango podem ser valsadas/bailadas – arrastando-se os pés ou batidas/sapateadas. As valsadas são uma espécie de valsa lenta, em que cada dançarino baila em geral com o mesmo para, mais se arrastando do que dançando. As batidas se caracterizam pelo sapateado forte e barulhento, batido a tamanco ou sapato no soalho, que abafam quase que completamente a música do conjunto, que é feito exclusivamente pelos homens. Os sapateados finais são chamados de arremate e segem-se ao grito de um dos violeiros como sinal para indicar o fim de qualquer marca: “Ô de casa ! ” A esse sinal as mulheres saem da roda e os homens batem o arremate. As marcas valsadas também são intercaladas depois de duas ou três batidas para descanso dos dançarinos. Aos dançarinos denomina-se folgadores e folgadeiras, por que dançavam geralmente na folga do sábado para o Domingo. Também era dançado nos sítios quando terminavam os trabalhos de roçado ou plantação.

Vários autores se referem ao fato de o fandango ter animado os festejos do paço de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, as festanças palacianas, as altas classes de estanceiros gaúchos, até 1840. Depois se recolheu às estâncias e fazendas (dançado pelas famílias), aos sítios, povoados e aos galpões dos peões do Rio Grande do Sul.
No oeste e sudoeste do Paraná, os Centros de Tradições Gaúcha (CTG), divulgam as danças que já foram comuns no Paraná, fazendo aproveitamento folclórico do que restou das danças dos antigos fandangos.

Acredita-se que dentro das próximas duas ou três gerações, estas danças estejam extintas, pois atualmente, são dançadas apenas pelos idosos, e os jovens não se interessam mais por este tipo de dança.





2002- C

Pagode de Amarante

Pagode é dança da negro, mas todo mundo participa. Ne cidade da Amarante, raro é o sábado em que não se ouve o batuque nos arredores ou em qualquer terreiro da beira do Canindé ou do Parnaíba. é uma tradição que vem do tempo da escravidão.
Dois cantadores dão o ritmo nos tambores ou caixotes improvisados. cantando cantigas bem tradicionais ou improvisando versos, sempre a duas vozes. Os participantes, velhos e jovens, formam duas filas, aos pares, que se cruzam sem obedecer a coreografia preestabelecida. Cada per vai improvisando rodopios, sapateando e gingando. As negras se requebram, enquanto os homens lhes fazem galanteios, numa incrível exuberância sensual. Os homens dançam batendo em matracas, chamadas da "gafanhotos". É uma espécie da castanhola, feita da um pau oco, medindo uns quinze centímetros mais ou menos. O uso desse "gafanhoto" é típico do Pagode de Amarante e produz um estranho som, alucinante e belo. Os dançadores não cantam, mas demonstram seu contentamento com gritos e gestos. Tudo isto faz do Pagode do Amarante uma das mais esfuziantes danças, cheia da sensualidade, de riqueza coreográfica e da ritmo afro de grande beleza.

Boi Estrela Mangueira

Boi estrela mangueira
Quem te ensinou a dançar
Rodou, trocou no pilar café
Quero me casar mas papai não quer.

A cobra salamanca
É uma cobra da agonia
Se pisar no meio quebra
Se pisar no rabo chia.

Bateu palma de gambirra
Que cabra bom já chegou
Com sua bandeira da guerra
O mar e o imperador

O galo cantou
Já é do madrugada
Eu quero dormir um sono
No colo da minha amada

Este boi é meu, Maria
Este boi dá
Este boi é meu
Só morre quando eu mandar
Este boi dá

Gavião de mansinho
Sentou no pau e pensou
E o menino marvado
Atirou a pedra e matou