quarta-feira, 27 de maio de 2009

2003- B

SAMBA, SABOR DO BRASIL

“O samba é o mais belo documento da vida e da alma do povo brasileiro”

Texto de Rosane Volpatto


O hábito de dançar corresponde a um instinto primitivo e universal do homem. A dança desde os tempos remotos, é peculiar a todos os povos do mundo, tanto os civilizados como os primitivos e, em sua origem, teve geralmente caráter mítico e religioso.

Entre os povos primitivos, a dança representava um fator social importante, pois simboliza a vida a coesão de uma tribo, desenvolvendo em cada indivíduo sentimentos e excitações referentes à religião, à sociedade e à guerra. Só bem mais tarde, com o progresso da civilização, a dança foi-se individualizando.

Na estruturação da dança popular brasileira, foi de vital importância a contribuição lusa. O negro, porém, entrou com grande cópia de elementos coreográficos, que deram a dança brasileira características próprias. Você já viu samba ter graça sem nossas mulatas? Pois é, nosso negro tem sabor na sua cor. Sem ele o samba fica descaracterizado e sem samba o Brasil perde seu caráter nacional e internacional. Talvez até hoje a maioria das pessoas não tenham se dado conta do valor patrimonial do nosso samba, pois saiba que, o samba é o mais belo documento da vida e da alma do povo brasileiro.

Já dizia nosso amado poeta, Dorival Caymmi, que "quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça, ou doente do pé...". Realmente, é difícil resistir ao ritmo contagiante do samba, seja você brasileiro ou estrangeiro. Quem nasceu aqui, sabe que na presença do samba, não temos alternativa, exceto cair na FOLIA e deixar rolar.

Muito fala-se da origem do samba, contudo, parece ser a mais remota. Seria, provavelmente, uma derivação do quimbundo semba, que significa umbigada, ou do umbumdo samba que significa estar animado ou estar excitado. Em verdade, o termo "semba" designava um tipo de dança de roda praticada em Luanda (Angola) e em várias regiões do Brasil, principalmente na Bahia. Do centro de um círculo e ao som de palmas, coro e objetos de percussão, um dançarino solista, em requebros e volteios, dava uma umbigada em um outro companheiro a fim de convidá-lo a dançar, sendo substituído então por esse participante. A própria palavra samba já era empregada no final do século XIX dando nome ao ritual dos negros escravos e ex-escravos.

Oficialmente o primeiro samba foi gravado em 1917 com o título de "Pelo Telefone" e sob a autoria do músico carioca Donga.

O Samba está presente em todo o território brasileiro, aliás está no sangue e no pé da nossa gente, entretanto, ele adquire feições particulares e marcantes nos estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo.

O samba baiano apresenta formas variadas cujos nomes remetem às coreografias e aos ritmos musicais. Dentre alguns, destacamos: Samba de roda, Samba de chave, Samba partido-alto, Samba corrido, Batido, Chulado, Baiano, Bate-pau, etc. Os movimentos incluem a umbigada e os passos fundamentais: “Corta a jaca”, “Separa o Visgo”, “Apanha o bago”, “Miudinho” e “Vamos peneirar”. Os cantos são tirados por um puxador, respondidos em coro pelos demais dançadores. O Samba que não tem refrão é chamado de “Samba corrido”. Os instrumentos musicais acompanhantes são: o violão, chocalho, pandeiro, atabaques. No Samba de roda observam-se ainda ritmos marcados em prato de mesa de ágate com duas colheres de sopa, além de tabuinhas.

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