quarta-feira, 27 de maio de 2009

2002- B

Fandango


Dança rápida e sapateada, fortemente ritmada, acompanhada em geral de guitarra, castanholas ou acordeão. Originária da Espanha, e comum na América espanhola, adquiriu feição própria em Portugal e no Brasil, onde o nome se aplica a uma série de danças folclóricas rurais, com diferentes coreografias.

“O Fandango é uma dança de origem espanhola, ‘viva’, dançada individualmente ou por par solista, apresentando sapateado, castanholas, meneios, requebros, acompanhada de guitarra e canto, rica em sensualismo e agilidade”. (GIFFONI, 1982). O fandango foi dançado nos salões aristocráticos desde o século XVIII, na Europa e, depois na América, proveniente de danças populares da idade média. Dantas apud Roderjan (1981), conta que o fandango era dançado em Lisboa no séc. XVIII, do paço dos reis às vielas da mouraria e que este era dançado principalmente ao norte de Portugal, de onde vêm muitos portugueses para o Paraná. Seu desprestígio, ocorreu devido às proibições das ordenanças reais e as censuras eclesiásticas, que o consideravam licencioso e herege.

Características
As danças do fandango podem ser valsadas/bailadas – arrastando-se os pés ou batidas/sapateadas. As valsadas são uma espécie de valsa lenta, em que cada dançarino baila em geral com o mesmo para, mais se arrastando do que dançando. As batidas se caracterizam pelo sapateado forte e barulhento, batido a tamanco ou sapato no soalho, que abafam quase que completamente a música do conjunto, que é feito exclusivamente pelos homens. Os sapateados finais são chamados de arremate e segem-se ao grito de um dos violeiros como sinal para indicar o fim de qualquer marca: “Ô de casa ! ” A esse sinal as mulheres saem da roda e os homens batem o arremate. As marcas valsadas também são intercaladas depois de duas ou três batidas para descanso dos dançarinos. Aos dançarinos denomina-se folgadores e folgadeiras, por que dançavam geralmente na folga do sábado para o Domingo. Também era dançado nos sítios quando terminavam os trabalhos de roçado ou plantação.

Vários autores se referem ao fato de o fandango ter animado os festejos do paço de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, as festanças palacianas, as altas classes de estanceiros gaúchos, até 1840. Depois se recolheu às estâncias e fazendas (dançado pelas famílias), aos sítios, povoados e aos galpões dos peões do Rio Grande do Sul.
No oeste e sudoeste do Paraná, os Centros de Tradições Gaúcha (CTG), divulgam as danças que já foram comuns no Paraná, fazendo aproveitamento folclórico do que restou das danças dos antigos fandangos.

Acredita-se que dentro das próximas duas ou três gerações, estas danças estejam extintas, pois atualmente, são dançadas apenas pelos idosos, e os jovens não se interessam mais por este tipo de dança.





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